Temazcal ou Tenda do
Suor:
O que é a tenda do suor?
A “Tenda do Suor” (também chamada de “Temazcal”, “Inipi” ou
"Sweet Logde"), é um banho de vapor, porém, com uma profunda conotação
espiritual. Os vestígios mais antigos dessa prática se encontram nas zonas
arqueológicas dos Maias, no México e na Guatemala, mas acredita-se que a
tradição é muito mais remota.
Trata-se de uma tradição milenar usada por várias etnias
ameríndias com o objetivo de curar, limpar e purificar corpo e a mente.
Seu uso através da história tem sido tanto terapêutico como
ritual em cerimônias, e a sua prática sobrevive graças à tradição oral das
comunidades indígenas e, atualmente, devido ao crescente interesse da sociedade
contemporânea em buscar uma melhora na qualidade de vida.
Nessa prática, intervêm os quatro elementos: a Terra, que nos
apoiamos, o Fogo, onde as pedras são aquecidas, a Água, colocada sobre estas e o
vapor, representando o Ar. São utilizadas, também, ervas aromáticas e plantas
medicinais.
Como funciona o ritual?
O ritual do Temazcal acontece após o
aquecimento de várias pedras em uma grande fogueira, sendo elas então levadas a
uma cabana em forma de um hemisfério. É dito na tradição que o formato da tenda
representa o "útero da Mãe-Terra", motivo de muita reverência, respeito e
gratidão.
No interior dessa tenda, os participantes entoam cantos e
tocam tambor, enquanto o condutor da cerimônia (corredor de temazcal) despeja
água sobre as pedras incandescentes.
O vapor d’agua mesclado com o perfume das ervas medicinais
contribuem para a saúde do corpo, de uma forma natural, desobstruindo os poros
da pele, dilatando os vasos sanguíneos, proporcionando assim, a eliminação de
toxinas e melhoras ao aparelho respiratório e imunológico.
A cerimônia realiza-se em quatro “portas” - assim chamado o
momento em que a tenda é reaberta. Essas etapas variam de intensidade e
propósito. Em cada “porta”, através dos cantos tradicionais e das batidas do
tambor, ensinamentos ancestrais são repassados.
Quem pode/deve fazer a tenda?
A princípio qualquer pessoa. É indicado para as pessoas que
se sentem intoxicadas, física ou mentalmente; para pessoas com problemas
respiratórios e indivíduos com dificuldade de relaxamento muscular. Ajuda a
vencer os processos de claustrofobia e outros medos.
Pode-se fazer a "Tenda
do Suor" na busca de uma reconexão com seu poder pessoal, para se preparar
(motivação) para a realização de algum intento, ou mesmo celebrando ou em
agradecimento por uma realização. Muitas pessoas também adentram à tenda com o
propósito de obter "resposta" ou alento em algum conflito interno.
Precisa ter alguma religião para fazer a tenda?
Não. O Temazcal é um ritual aberto a pessoas de diferentes crenças
e religiões. Não é necessário qualquer iniciação ou pré-requisito para
participar.
Pode-se, inclusive, adentrar na tenda para obter apenas os
benefícios físicos, como acontece em alguns resorts e SPA’s. Essa prática advém
de tradições ancestrais que entendiam o “ser humano” como parte integrante
(indissociável) da Natureza.
Quais são os benefícios?
Como já mencionado, o Temazcal pode ser observado sob dois
aspectos: o da saúde do corpo e o espiritualista. Para a saúde do corpo, o
contato com ao efeito do calor e respiração desse vapor aromático faz a pele
suar, relaxando o corpo e desintoxicando-o. Assim, promove limpeza dos sinos
nasais e paranasais aliviando casos de sinusite, catarros, asma, bronquites e
enfisemas. Purifica a pele, desintoxica o corpo, estimula a circulação e o
sistema imunológico. Em razão de seu efeito relaxante, combate a insônia,
revigorando e dinamizando os processos mentais. Essa prática é considerada como
um coadjuvante no combate ao estresse.
Contudo, é importante observar que a “Tenda do Suor” é mais
do que um simples banho de vapor e ervas que nos ajuda a melhorar o
funcionamento do organismo. É dito que o Temazcal é um espaço onde
forças elementares da natureza interagem. Dessa forma, ao adentrar na tenda,
entramos em contacto com os quatro elementos fundamentais que mantêm a vida em
nosso planeta: água, terra, fogo e o ar. Isto possibilita a interação com
“forças elementares” que não são percebidas através de nossos sentidos
“externos”. Ao contrário, focando nossa atenção nos “sentidos internos” damos
chance a uma interiorização, ou seja, um contato com nossa verdadeira
Essência.
Existe alguma contra indicação?
A princípio desaconselhamos a participação de cardíacos com
episódios recentes, pessoas que passaram por cirurgia recente ou procedimento
que, a pouco tempo, agrediu a pele (queimaduras, tatuagens, piercing etc).
Nessa tradição, guarda-se um respeito a mulher durante seu
período menstrual. É dito pelo anciões que nesses especiais momentos, o “poder
pessoal” da mulher está voltada à direção da Terra (o Temazcal tem o sentido
voltado à direção do Céu). A menstruação é, segundo esses ensinamentos, uma
“cerimônia individual” de doação de seu próprio sangue pela continuidade dos
ciclos da vida. Nessa condição, em respeito à “cerimônia natural” do ser
feminino, pede-se que as mulheres durante seu período menstrual não partilhem da
tenda.
Chanupa ou Cerimônia da Pipa
Sagrada:
Existe uma lenda que diz que dois homens caminhavam juntos quando,
repentinamente, uma linda mulher vestida de branco lhes apareceu. Um deles a
olhou com desejo, e por isso, no mesmo instante, caiu morto. O Outro, a olhou
com admiração, como quem olha algo divino. Ela se apresentou como a “Mulher
Búfalo Branco” e pediu que ele levasse uma mensagem para a sua tribo. Pediu que
todos se reunissem dentro do Temazcal (tenda do suor) onde ela apareceria para
lhes passar mais instruções sagradas.
E assim foi feito: quando ela
finalmente surgiu na “tenda do suor”, apresentou-lhes a “Pipa Sagrada”, a
medicina do tabaco e a maneira em que ela deveria ser utilizada. Revelou assim,
que seu propósito seria de unir as pessoas em oração para rogar por tempos
melhores diante das dificuldades e agradecer pelas bênçãos. Seria uma maneira
poderosa de falar ao pé do ouvido do “Grande Espírito”.
A “Chanupa” –
também conhecida como "Pipa Sagrada" ou “petyguá”- é um instrumento que
representa o centro da tradição do Caminho Vermelho. Acredita-se que dele se
obtém a conexão com o divino, com o poder de elevar as preces, propósitos,
intenções e agradecimentos ao “Grande Espírito”. Por isso o seu compartilhar é
tido como um momento de muita honra e é muito reverenciado.
Sua estrutura
é dividida em duas partes: a parte aonde vai o tabaco, que geralmente é feita de
pedra, representando o Feminino, e o corpo, por onde passa a fumaça, que é feito
de madeira, representando o masculino. Essa conexão representa o equilíbrio e a
harmonia entre estas duas polaridades.
Ao acendê-la, antes mesmo de
falar, toma-se uma benção com a fumaça, levando-a para cima da cabeça e logo ao
coração. A fumaça não pode ser tragada, pois ela deve subir pura, para que os
Espíritos do Grande Mistério entendam com clareza o rezo(pedido ou
agradecimento).
É muito importante lembrar que o tabaco utilizado neste
ritual não é o industrializado (misturado com materiais químicos, nocivos à
saúde) e sim o tabaco “cerimonial”. Segundo Sun Bear (1929-1992) “medicine
chief”, escritor e visionário índio Chippewa (Michigan, EUA) o tabaco cerimonial
“(...) quando reverenciado no Cachimbo Sagrado, carrega as preces (wishes) para
os Espíritos. Fumar tabaco é fazer um chamamento ao plano espiritual para
ajudar. Quando alguém fuma por diversão, está continuamente fazendo chamadas aos
Espíritos para si com um falso alarme”.
Por mais paradoxal que nos possa
parecer, o tabaco sempre foi considerado pelos índios como “Planta de Poder”,
tida como uma erva de cura que, todavia, caiu em mau uso pelos brancos com sua
utilização totalmente desvirtuada e abruptamente desregrada. Consideram que,
como toda forma de “medicina”, pode fazer muito mal para quem não lhe dá o
devido uso. Enfim, cabe a cada um tomar as suas conclusões.
A Cerimônia da Chanupa é gratuita,
aberta a todos, independente de credo
Círculo de
Mulheres:
O que é Círculo de
Mulheres
É um encontro, uma íntima cerimônia, para as mulheres
reunirem-se e discutirem entre si as suas questões, onde se trabalha a relação
da mulher com a própria mulher, onde são abordadas questões ligadas ao
relacionamento, o desenvolver do poder feminino, o contato com as ervas, com as
diferentes formas de elementos naturais da terra: pedras, água, fogo, os cantos,
as danças e os ritos.
Resgata-se o contato com a lua, com os sonhos, a
sexualidade, com a menstruação e as emoções, no sentido de estar liberando
destes contatos diários sentimentos como a inveja, a fofoca, maledicências e
outros.
Só quando a mulher está inteira, completa e vive seus valores
femininos plenamente é que ela pode estabelecer um relacionamento sadio, numa
postura de troca, com o mundo em seus universos masculino e feminino e infantil.
Assim em um Círculo de Mulheres, cada mulher é ela mesma e também um aspecto
de todas as outras mulheres presentes, ele é um lugar seguro para falar a
verdade sobre sentimentos, percepções e experiências.

Que tipos de ensinamentos são
repassados
Cada reunião é um rito, onde através de instrumentos
sagrados como o tabaco (forma original, puro, sem mistura), o tambor e os rezos,
são realizadas cerimônias vivenciais. Primeiramente na busca da mulher consigo
mesma, depois no contato da mulher com a mãe, com avós e toda a ancestralidade,
primeiro o lado feminino e depois o masculino.
Estas têm como objetivo a
limpeza da memória nos mais diferentes níveis: mental, espiritual-emocional e
físico. À medida que seguem estas vivencias vamos encontrando o contato com as
anciãs antigas e todos os seus ensinamentos, através da visualização criativa e
do despertar da intuição.
Nesta tradição procura-se seguir os ensinamentos
repassados pelos povos nativos, os quais foram procurados seguir na sua forma
original, geração após geração.
Os Nativos consideram o
período menstrual o de maior poder da mulher.
Por quê?
Segundo
estes ensinamentos a menstruação feminina é considerado o período de maior poder
porque é um tempo para o recolhimento, de procurar contatos com os sonhos. É um
período onde a mulher se torna essencialmente intuitiva e sensitiva, daí a
necessidade do recolhimento e o que era chamado antigamente de tenda da lua,
onde a mulher se recolhia em uma tenda e os homens e as demais mulheres a
serviam. Passado este período reunia-se a tribo para ouvir os ensinamentos
recebidos.
Com a modernidade este período de recolhimento tornou-se
praticamente impossível e desta maneira trava-se dentro da própria mulher uma
grande luta: seu corpo exigindo recolhimento, e as atividades diárias não o
permitindo.
A falta de respeito desta necessidade foi gerando na mulher
situações de desconforto, irritabilidade, dores de cabeça, negação da própria
menstruação, sintomas comumente chamados de TPM. E assim foi e continua sendo
negado o próprio poder feminino.
Como a mulher percebe
que não está sintonizada com ela mesma
Quando não mais encontra o
prazer da vida. A medida que ela vai negando a sua natureza, vão surgindo as
insatisfações e emoções ligadas a esta insatisfação como: falta de alegria,
desprazer, angústia, depressões e dores.
Como resgatar este poder da
mulher.
Sabemos da impossibilidade de recolhimento da mulher neste
período, por isso o círculo de mulheres tem como propósito o resgate e adequação
deste poder para a realidade atual, ou seja, aprender a se recolher nas
condições que lhe são impostas.
Na medida em que a mulher começa a encontrar
esta sabedoria e intuição dentro dela, começa a irradiar esta felicidade ao
redor: tanto na família, quanto no trabalho e nas suas diferentes relações.